Page 13 - 100 anos Vassouras_Livro digital Interativo
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em parceria com o astrônomo Alix   fiel assistente • Integrante do gru-
                     Correa  Lemos  (1877-1957)  (ver  ‘Fiel   po de cientistas que criou a Sociedade Brasi-
                     assistente’). Conta-se que naqueles   leira de Ciências, em maio de 1916, ALIx CORREA
                     anos  –  com  a  política  científica  do-  LEMOS foi assistente chefe no Observatório
                     minante  característica  do  início  do   Nacional (ON) e chegou a dirigir a instituição
                     século passado – Morize quase que   entre 1929 e 1930, após o adoecimento de Hen-
                     se desculpava pela preocupação em   rique Charles Morize, então diretor. Membro da
                     desenvolver um setor que não teria   Sociedade Sismológica da América, foi respon-        ACERVO ON
                     aplicação prática imediata, princi-  sável pela área de sismologia do ON. Sua carreira foi marcada principal-
                     palmente para aqueles que, embora   mente pela dedicação ao estudo das marés.
                     sem conhecimento especializado, de-
                     cidiam os rumos dos investimentos
                     científicos.
                        No novo observatório, foi Lemos – homem de confiança de Morize –
                     quem ficou responsável pela organização do serviço geomagnético. Ele
                     também atuou como diretor interino em momentos nos quais Morize
                     teve de se afastar da direção. Após sua saída definitiva, o francês desejou
                     que seu cargo fosse ocupado pelo próprio Lemos. Mas,
                     graças a um atrito entre este e o então ministro da Agri-
                     cultura, a vontade de Morize não se concretizou. De
                     qualquer modo, a importância de Lemos para o OMV
                     é inegável.
                        Entre outras questões de natureza técnica, a pro-
                     ximidade entre o terreno escolhido no município
                     de Vassouras e a Estrada de Ferro Central do Brasil
                     foi fundamental para o estabelecimento de um ob-
                     servatório magnético naquela localidade – detalhe
                     que está claramente expresso em documentos. O
                     ponto mais apropriado, afinal, seria aquele em que
                     não houvesse possibilidades de estabelecimento
                     de bondes elétricos. Esses meios de transporte
                     impossibilitavam por completo as observações
                     magnéticas na capital federal, que, à época, era
                     o Rio de Janeiro. Além disso, a relativa proximi-
                     dade do terreno em Vassouras com a estrada de
                     ferro facilitava o transporte de instrumentos e                                          CARTÓRIO DO 2º OFÍCIO DE VASSOURAS – RJ
                     viabilizava sua instalação.
                        A propósito, esses dois fatores – a proxi-
                     midade à estrada de ferro e a não existência de
                     bondes elétricos – foram argumentos usados por Morize nos momentos
                     em que ele mesmo afirmou que a cidade de Vassouras era, realmente, um   Figura 2. Certidão de compra e
                     ponto favorável para o novo observatório.                       venda do terreno para instalação
                        É claro que o terreno não era assim tão perfeito. Em ofício ao diretor   do Observatório Magnético de
                     da Repartição Geral dos Telégrafos, em novembro de 1912, Morize relata   Vassouras


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